Ministério da Cultura sob nova direção


Não sou militante da Cultura, não tenho partido, nem mesmo quero defender ou criticar ninguém, mas ver qualquer Ministério como meio de troca na política me deprime um pouco... Ganha a campanha de Fernando Haddad em São Paulo e ganha a Marta Suplicy mais do que um prêmio de consolação, mas recursos para articular sua candidatura ao governo de São Paulo em 2014, agora no primeiro escalão do governo. Perdem tempo os servidores da Cultura.
A troca de comando do Ministério da Cultura expressa uma inversão de meios e fins na política que me motiva a expressar meu desapreço e incômodo. Não importam os resultados alcançados, o impacto das políticas públicas sobre a vida dos brasileiros, nível de execução orçamentária, ou mesmo os esforços dos servidores para elaborarem planejamentos e o empenho deles para cumpri-los. Acima de tudo isso está a acomodação de interesses partidários e a execução do planejamento estratégico de um partido.
Colocar qualquer pessoa para exercer um cargo para o qual o indicado assume o despreparo não transmite outra mensagem senão a indiferença e o descaso para com as responsabilidades do ocupante daquele cargo. O que ocorreu hoje não está à altura da tese de que temos uma presidente técnica, rigorosa, exigente, que põe a gestão acima da política. E isso me decepcionou.
Ummínimo de sensibilidade
Não é preciso ser pós-graduado em Stanford para saber que a troca de dirigente em qualquer organização por alguém que ainda está por “descobrir o que fazer” é um desserviço a qualquer órgão e, principalmente, a todos os seus funcionários. Refiro-me ao desapontamento que sofre o servidor que é aprovado em concurso público, que se desgasta em reuniões técnicas, que trabalha sem ganhar hora-extra para escrever declarações e acordos de escopo muitas vezes internacional, que se preocupa com o interesse público difuso e que tenta arrogar ao seu trabalho a seriedade de uma política de Estado. Tudo isso é ameaçado quando a gestão de R$3 bilhões e de quase 4.000 pessoas fica subjugada a quem ainda “vai estudar”.
Nada contra mudanças, mas tudo contra a estrutura que fomenta a ineficiência do funcionalismo público. Após quase dois anos, nenhuma equipe quer esperar um líder “mergulhar”, “descobrir” e “estudar”. Quando tudo parece estar finalmente engrenando, quando o time parece estar entrosado e que se começa a colher alguns frutos, tudo para e aguarda pelas orientações do novo líder. Qual a motivação que se pode encontrar nessa instabilidade?
Não adianta só experiência na gestão pública. Um dirigente tem que estar ao menos ciente da agenda de discussões na área em que pretende atuar. Isso lhe dá o mínimo de sensibilidade às demandas populares em relação aos programas e ações afetos ao órgão que pretende comandar, confere substância às suas declarações e, principalmente, angaria a confiança da sua futura equipe.
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[Igor de Miranda Lobo é estudante, Brasília, DF]

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