Fórum Brasileiro de Economia Criativa acontece no Pará



Até pouco tempo atrás – mais precisamente, até o final do século XX, o investimento em bens e serviços criativos era algo improvável no Brasil. Com um histórico de desenvolvimento tardio, o país vivencia agora uma nova fase da economia - já experimentada há pelo menos 20 anos por países de outros continentes - que atende pelo nome Economia Criativa.

Com o advento da cultura digital neste novo século, os produtos deixaram de ser somente utilitários e assumiram um valor simbólico. “Se eu compro um carro, uma roupa ou uma bolsa hoje, não é mais pela utilidade, e sim pela imagem agregada ao produto, pelo status”, analisa Cláudia Leitão secretária de Economia Criativa do MinC que está hoje em Belém para participar do Fórum Brasileiro de Economia Criativa, às 14h30, no Banco da Amazônia, com entrada franca.

Em junho deste ano, o Governo Federal criou por decreto a Secretaria de Economia Criativa, ligada ao Ministério da Cultura (MinC), com o objetivo de conduzir o fomento, a implementação e o monitoramento de políticas públicas voltadas para os setores criativos locais e regionais, tornando a cultura um eixo estratégico de desenvolvimento do Brasil. “A economia da cultura tem que se reverter em riqueza, em trabalho e em desenvolvimento para o país”, analisa a secretária, em entrevista por telefone ao caderno VOCÊ. Formada em Educação Artística e Direito, Cláudia é doutora em Sociologia pela Université Paris Descartes e professora da Universidade Estadual do Ceará.



FOCO

Sendo a Economia Criativa uma área que abrange vários setores do conhecimento – como design, audiovisual, moda, arquitetura, artes cênicas, literatura e outras, a Secretaria pretende desenvolver até 2014, ano da Copa do Brasil, planos que tornem a criatividade o foco principal de desenvolvimento, trabalhando em conjunto com outros ministérios. De acordo com Cláudia, a economia criativa vai ajudar a “superar a visão do homem individualista e trabalhar mais com a economia solidária no sentido de troca de experiência e de projetos que podem ser feitos com várias pessoas”. Para isso, serão criados 27 Observatórios Brasileiros de Economia Criativa (Obec) visando produzir, reunir e difundir informações sobre o setor no Brasil, além de investimentos em educação e parcerias com universidades federais e estaduais para preparar o país para esta nova economia.

No próximo ano, o Pará irá receber um dos escritórios do projeto Criativa Birô, da mesma secretaria, que pretende ser um espaço de colaboração ao micro e pequeno empreendedor criativo do Estado. Os escritórios serão centros de apoio aos profissionais criativos na elaboração de modelos de negócios, oferecendo consultoria na área de gestão, assessoria jurídica, qualificação profissional e informações.

Uma das áreas que será ajudada pela Criativa Birô é a da música. “O tecnobrega é um exemplo de um mercado que se recriou. É um negócio que está sendo reestruturado por novos modelos de negócio”, analisa Cláudia referindo-se à forma como a música da periferia paraense chegou ao patamar que ocupa hoje no Brasil.



Valor

O audiovisual também é outro exemplo de como o país tem agregado valores criativos aos seus produtos. “Temos uma indústria de cinema que tem crescido, um espaço maior para conteúdos criativos em TVs fechadas. No Pará, Cláudia considera que o Círio de Nazaré é um exemplo de dimensão simbólica e mercadológica da cultura. “Existe toda uma cadeia produtiva em torno de um valor simbólico. O Círio é patrimônio imaterial brasileiro. É importante não somente pelos aspectos religiosos, mas pelos aspectos econômicos e culturais que o envolvem”, justifica.

O Fórum de hoje, que acontece pela primeira vez em Belém, busca incluir o Pará no centro do desenvolvimento criativo, explorando o potencial do Estado proporcionado pela diversidade cultural. “A história, a memória paraense... toda essa riqueza precisa aparecer nos produtos do Pará. O Brasil tem muito a aprender com o Brasil”, conclui Cláudia. 


SERVIÇO:

Fórum Brasileiro de Economia Criativa com a secretária Cláudia Leitão. Hoje, às 14h30, no auditório do Banco da Amazônia (Av. Presidente Vargas, 800). Entrada franca. Informações: 3073-4150.
(Mariana Almeida/Diário do Pará)


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