Mostra em BH apresenta mecanismos para a obtenção de recursos através de captações internacionais


DANIELA MACIEL

Arte essencialmente coletiva, o cinema gera oportunidades de negócios desde a concepção do roteiro até a participação de longas, médias e curtas em festivais e a exibição para o público brasileiro e internacional. Entre as muitas formas de financiamento e captação de recursos, as parcerias internacionais, chamadas coproduções, que poderiam estar bancando uma grande parcela de nossas produções, são ainda pouco aproveitadas pelos realizadores brasileiros.

Segundo dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine), em 2011 foram realizadas 20 produções, sendo quatro com a Argentina, cinco com Portugal, duas com a Espanha, duas com a França, e uma com Argentina e Chile, Canadá, Chile, Espanha e Venezuela, Estados Unidos, México, e Índia. Número ainda pequeno diante, por exemplo, da vizinha Argentina, onde 50% da produção cinematográfica é viabilizada por meio de parcerias estrangeiras.

Para tentar diminuir a distância entre os produtores nacionais e os fundos de investimento públicos e privados dedicados à produção cinematográfica, especialmente os europeus, tem início hoje e vai até dia 23, em Belo Horizonte, a terceira edição do Brasil CineMundi - International Coproduction Meeting. 

O evento, voltado para o fomento dos projetos, apresenta 19 convidados internacionais. Dez projetos de longa-metragem previamente selecionados terão a oportunidade de conversar com esses convidados. Além dos europeus estarão presentes os maiores produtores de Argentina, Chile e Colômbia, países cada vez mais fortes nos eventos de mercado do cinema no exterior. 

Cerca de 50% da produção cinematográfica argentina é viabilizada em parcerias com países da Europa, índice, por enquanto, segundo o cineasta e colaborador do Programa Brasil CineMudi, Helvécio Marins, nem sonhado pelos brasileiros. 

"O Brasil é o maior produtor de filmes da América Latina, mas é o que menos coproduz com a Europa. Peru e Equador fazem mais coprodução com a Europa do que o Brasil. Tentamos nesse evento reunir investidores e realizadores com perfis compatíveis e vamos aproveitar a experiência dos nossos colegas latinos para aprender a aproveitar esses recursos", destaca Marins.

A edição do Brasil CineMundi faz parte da programação da Sexta Mostra CineBH, que acontece no mesmo período com programação gratuita distribuída em diversos espaços da cidade e no Instituto de Arte Contemporânea e Jardim Botânico Inhotim, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). 

"Raramente em encontros como esses são fechados contratos logo na primeira conversa. Esse é um primeiro contato, em que as pessoas vão se conhecer, apresentar seus currículos e projetos. Muitas vezes, não é aquele contato que vai gerar o negócio, mas sim uma informação, uma dica repassada, já que todos os participantes são especialista no setor de audiovisual dos seus países e também do continente", explica o cineasta.

Coprodução é desafio para o cinema

Preparo - Para Marins, a dificuldade dos brasileiros em aproveitar as oportunidades de coprodução é resultado de uma série de fatores, que passam pela falta de profissionalização dos produtores para tratar dos assuntos ligados a dinheiro, aos altos custos do cinema nacional e um tipo de linguagem que não desperta interesse nos investidores europeus.

"As grandes produções nacionais têm orçamentos médios que variam entre R$ 5 milhões e R$ 10 milhões, valores muito superiores aos praticados pelos fundos internacionais, que ficam entre 30 mil e 200 mil euros. Por isso, é mais fácil que elas façam a captação em editais nacionais. Por outro lado, falta aos produtores independentes o conhecimento para ocupar esse espaço. Vivemos em um mundo em que não basta apenas talento, é preciso conhecer os mecanismos disponíveis e alguma experiência para trilhar esses caminhosa", analisa.

Além dos projetos selecionados e dos inscritos nas oficinas, outros interessados e o público em geral também pode aproveitar a mostra para aprender mais sobre o assunto durante os debates, case study e master class. Não é necessária inscrição, mas o número de vagas fica limitado à capacidade dos espaços. 

"Quem teve projetos recusados ou ainda está escrevendo o seu, pode participar dos estudos de caso. Lá, vamos contar a trajetória de casos de sucesso como o filme português Tabu, respeitadíssimo na Europa", indica. A programação completa está no site www.cinebh.com.br.

Em outra sessão da mostra, será contado o caso do brasileiro "Girimunho", dirigido por Helvécio Marins. O filme que custou R$ 900 mil teve cerca de um terço do valor bancado por fundos da Espanha, Alemanha e Holanda. Nos últimos dois anos foi considerado o filme brasileiro de maior sucesso nos festivais internacionais e foi premiado em Havana, Mar del Plata, Nantes e Veneza. Já esteve em cartaz na Espanha e França, mesmo antes de estrear no Brasil, e foi eleito pelo principal jornal francês, o "Le Monde", como filme do mês.


Fonte: http://www.diariodocomercio.com.br/index.php?id=68&conteudoId=126376&edicaoId=1347

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