Igreja desocupa galpão na Praça da Estação


Prefeitura pretende demolir construção para consolidar corredor de artes e entretenimento no Centro da capital. Projeto que autoriza alienação está parado na Câmara



Foi dado mais um passo para a criação de um corredor cultural da Praça da Estação, no Centro de Belo Horizonte. Um galpão em estrutura metálica, em desacordo com o patrimônio arquitetônico e urbanístico da área e que obstrui a passagem para a Casa do Conde Santa Marinha, foi desocupado com a transferência de um templo evangélico que alugava o espaço. A prefeitura pretendia adquirir o imóvel até o fim deste ano, mas as negociações dependem da aprovação do Projeto de Lei 1.698/2011, que autoriza a alienação como venda ou permuta. Segundo a Câmara Municipal, o projeto foi aprovado em primeiro turno e será modificado para o segundo, não devendo ser aprovado neste ano devido às eleições.

O galpão fica na Avenida do Contorno, entre a Rua Januária e o Viaduto da Floresta. Foi erguido em área de 3,5 mil metros quadrados com estacionamento ao lado. Pertence ao empresário Mário Valadares, dono de dois shoppings populares no Centro de BH e de um centro de compras em Contagem. Ele  reclama que o imóvel está fechado há dois meses e que está tendo prejuízo de R$ 70 mil de aluguel por mês, valor que era cobrado da igreja. “Depois que o imóvel foi entregue, tive proposta de R$ 120 mil de aluguel para instalação de laboratório de uma universidade. Estou perdendo receita com o galpão parado. Se o projeto não for aprovado rápido, coloco outro inquilino lá. Estou tendo um prejuízo muito grande e já avisei a prefeitura”, disse Valadares.

O empresário conta que adquiriu o terreno em 2005 e no local funcionava uma concessionária de veículos, que pretendia construir uma loja no local. “O ponto é muito bom e vai ficar ainda mais valorizado. O Tribunal Regional do Trabalho vai se instalar num prédio em frente, o da antiga Escola de Engenharia da UFMG”, revelou o empresário, que avalia o imóvel em R$ 12 milhões. Além de viabilizar o projeto Corredor Cultural, outro motivo da desocupação do imóvel foi a poluição sonora, segundo ele. “A música da igreja incomodava oficinas de teatro e de arte no prédio histórico ao lado”, acrescentou.

Em 14 de julho do ano passado, a ministra da Cultura, Ana de Hollanda, esteve em Belo Horizonte e pediu apoio ao prefeito Marcio Lacerda para aquisição do galpão e criação do Corredor Cultural.

O diretor do Patrimônio da prefeitura, Leônidas Oliveira, informou que a região já pode ser considerada corredor cultural pelo que oferece, mas será ampliado com a aquisição do terreno. “Temos o Viaduto Santa Tereza, que é belíssimo e a prefeitura vai requalificá-lo em parceria com a iniciativa privada. Temos a Serraria Souza Pinto e o Museu de Artes e Ofícios. O prefeito também está pensando em fazer o Centro de Referência da Juventude nas proximidades do museu, que também terá uso cultural. Ainda temos o prédio do Espaço 104 Cultural e o Viaduto da Floresta. Tudo vai se agregando”, acrescentou Leônidas.

Ministra pediu a demolição
A retirada do templo evangélico foi pedida ao prefeito Marcio Lacerda pela ministra da Cultura, Anna de Holanda, em 14 de julho do ano passadom (foto), durante visita a PBH e a prédios históricos da Praça da Estação. Segundo ela, a galpão da igreja estaria obstruindo a ligação da Praça da Estação com a Casa do Conde Santa Marinha e um galpão histórico da rede ferroviária, que está sendo restaurado. Na ocasião, a secretária municipal de Cultura, Thaís Pimentel, informou que o prédio é uma construção irregular e dificulta o diálogo entre a Praça da Estação e o Museu de Artes com os galpões da Funarte.
 
Edifício histórico é reformado
Um imóvel histórico da antiga rede ferroviária, que fica ao lado do Viaduto da Floresta e da Casa do Conde, está sendo reformado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), para abrigar um espaço para apresentações artísticas, biblioteca, livraria e café. “O ganho cultural para Belo Horizonte vai ser tremendo com a retirada do galpão, além de outras obras de requalificação no espaço”, disse Leônidas Oliveira, diretor de Patrimônio da prefeitura.

Ele explicou que o prefeito Marcio Lacerda chegou a pensar em fazer uma permuta com o dono do terreno, mas a lei que permitiria a negociação não foi aprovada pela Câmara. “Existe um pacote de 106 imóveis que estão para ser desapropriados ou trocados. Alguns, para abertura de ruas e avenidas. Tudo é negociado. Pela lei, a prefeitura tem direito de compra de determinados imóveis, que são de interesse social”, disse Leônidas.

De acordo com a Diretoria de Patrimônio, a prefeitura vai criar a Operação Urbana para definir os usos dos terrenos e prédios do Corredor Cultural. “Essa operação foi regulamentada pelo Plano Diretor e será criado um grupo de trabalho. Toda a área será requalificada. O edifício da antiga Escola de Engenharia da UFMG vai abrigar o Tribunal Regional do Trabalho e outros imóveis historicamente abandonados serão recuperados. Há uma vocação cultural muito forte na região”, disse.

O galpão da antiga igreja será demolido e o espaço permanecerá aberto até que a Operação Urbana defina o que será feito no local. “Vamos abrir espaço para a Casa do Conde e deve ser uma praça. O galpão é uma poluição visual e a sua retirada vai liberar o Viaduto da Floresta”, disse o diretor de Patrimônio.

Leônidas informou que tudo está muito bem negociado com o dono do galpão.” Ele pode até alugar, mas quem vai querer  um negócio que daqui a dois meses pode ser desapropriado? O projeto de lei já está pronto e dia ou mais dia ele vai sair”, disse o diretor.

Americanas.com

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