Portal Quero Incentivar reúne projetos culturais e esportivos de todo o Brasil


Cinco jovens empreendedores culturais e sociais se uniram para lançar o Quero Incentivar, portal que pretende ser a grande vitrine brasileira de projetos culturais e esportivos. A ação é das agências 3 Apitos e Diálogo Cultural. O Criaticidades esteve na sede do site – na capital paulista – e conversou com dois dos fundadores, Leonardo Yu Marins e Paulo Pontes.

Formados em comunicação social com ênfase em publicidade, os empreendedores têm visões interessantes em relação às formas de financiamento de cultura e esportes no país. Citam números que reforçam a ideia de que faltam conhecimento e estrutura nas empresas que financiam projetos sociais e artísticos.

Um dos dados é do Ministério dos Esportes: desde 2007 – a partir do lançamento da Lei Federal de Incentivo ao Esporte – a instituição aprovou que cerca de R$ 1,6 bilhão fossem captados para projetos. Desse total, cerca de R$ 600 milhões efetivamente foram captados, ou seja, 39% do total.

Para Pontes, não é a falta de bons projetos que são o motivo para esses números e sim a falta de visibilidade dos projetos. “No esporte, o foco são atletas de alto rendimento e com nível olímpico, em detrimento a atividades educativas, participativas ou mesmo para o investimento nas categorias de base”, afirma.

A situação é parecida no setor cultural. Cerca de 80% dos investimentos são destinados para o teatro, cinema e música, enquanto o resto é investido em outras atividades culturais como museus, circo ou bibliotecas. “A lei não é exatamente democrática, já que artistas renomados ou globais têm maior visibilidade. E ganham incentivos mesmo espetáculos que se pagariam com bilheteria e patrocínio, como o Cirque Du Soleil. Às vezes o diretor de marketing de uma grande companhia tem mais poder que o ministro da Cultura”, afirma Pontes.

Quero Incentivar surgiu dessa visão de que existe uma grande dificuldade das empresas em encontrar um projeto social. “As leis de incentivo foram mecanismos públicos para que o setor privado pudesse escolher bons projetos para patrocinar. Deu liberdade para as empresas”, afirma Pontes.

O site é inteiramente gratuito, tanto para o cadastro dos projetos culturais como para a pesquisa por meio das empresas. Em um mês de atuação existem cerca de cem projetos cadastrados, cerca de 80% na vertente cultural e 20% para o setor esportivo. Na fila de espera para serem aprovados nas leis de incentivo, os empreendedores afirmam que existe mais algumas dezenas de projetos que podem ir ao ar.

Os empreendedores relembram que já existiram iniciativas similares, mas que cobravam por acesso aos conteúdos ou para a publicação. Os publicitários afirmam que a essência do Quero Incentivar é a gratuidade. “Como uma agência cultural e esportiva ganhamos um interessante portfólio de projetos de cunho social e artístico. Antigamente, para uma agência saber quais os projetos foram aprovados era necessário acessar o Diário Oficial e procurar os contatos dos produtores na web. Agora fica tudo mais fácil”, afirma Marins.

A empresa ainda oferece ao mercado – de maneira gratuita – consultorias para empresas que se interessem em patrocinar os projetos. Essa análise permite até desenhar as estratégias ou mesmo oferecer cursos para que os departamentos de marketing saibam mais sobre as leis de incentivo. Entre os clientes do site está a Companhia Muller de Bebidas, que fabrica a Cachaça 51.

A ideia dos empreendedores é oferecer um serviço de edital. Por exemplo, uma empresa pode estar interessada em lançar um edital sobre cinema. Os empreendedores então realizam uma consultoria e apontam quais são os projetos hospedados pelo site são mais válidos para designar o incentivo. “A nossa remuneração será feita por meio de comissão, como qualquer agência do setor. A lei de incentivo é feita para ser sustentável”, comenta Pontes.

Marins fala que o site tem uma veia educativa, já que falta conhecimento dos empreendedores sobre leis de incentivo. “Muitos empresários não sabem como se realiza um incentivo cultural ou como se calcula a dedução de imposto. Muitas vezes uma empresa não sabe nem qual a área que decide sobre o tema”, afirma.

INCENTIVO DE PESSOAS FÍSICAS
Os empreendedores do Quero Incentivar também lembram que as leis de incentivo não estão disponíveis apenas para empresas. Os contribuintes pessoas físicas também podem ser financiadores de cultura e esporte. Eles mostram se essa dedução do imposto de renda fosse somada, os investimentos poderiam aumentar em R$ 4 bilhões.

Comparando com as pessoas jurídicas, é um número relevante. Entre 2010 e 2011 o Ministério da Cultura permitiu a captação de R$ 1,2 bilhão. Já o Ministério do Esporte em 2011 permitiu a captação de R$ 400 milhões. “Muitas pessoas físicas não são financiadores por medo de cair na malha fina ou por falta de conhecimento. Temos que sensibilizar os advogados e contadores de que esse incentivo é possível”, afirma Marins.

A participação da pessoa física é ainda mais relevante no atual cenário em que se sobressai o financiamento coletivo ou o crowdfunding. Infelizmente, o processo para conseguir a dedução ainda não é totalmente digitalizado e em muitos casos exige o pagamento antecipado do imposto. “Até as grandes companhias deixam para fazer os incentivos no final do ano, quando elas sabem exatamente quanto de imposto tem que pagar. Para as pessoas físicas, o resultado é semelhante”, afirma.

Os empreendedores também comentam sobre as mudanças que estão previstas para as leis de incentivo, no âmbito federal. Eles explicam o novo conceito do Procultura é que os novos projetos ganhem pontos por quesitos como acessibilidade e itinerância. Essas contrapartidas sociais é que vão permitir a dedução de 100% dos impostos. Alguns projetos podem ficar com 60% ou 80% de dedução. “A ideia é que descentralize os investimentos em cultura, não somente para grandes espetáculos ou no eixo Rio-São Paulo”, afirma Pontes.

SABER VENDER O PEIXE
Pelo fato de trabalhar com leis de incentivo federais, os fundadores do Quero Incentivarafirmam que recebem projetos do país inteiro e que existe uma grande produção cultural fora do tradicional circuito do sudeste. Além de São Pontes e Rio de Janeiro, o site hospeda projetos de estados como Minas Gerais, Goiás, Bahia, Rio Grande do Sul, entre outros. E aceita projetos em leis de incentivo como a Rouanet, do Audiovisual, Lei Federal de Incentivo ao Esporte, Funcad, Proac, Lei Paulista de Incentivo ao Esporte.

Uma das dicas que os fundadores para os produtores culturais é que produzam vídeos para explicar os projetos. A lógica é parecida com os sites de financiamento coletivo como o americano Kickstarter e o brasileiro Catarse. “Incentivamos que o produtor produza um vídeo explicando o projeto, mesmo que seja com numa webcam. Muitos empreendedores culturais têm grandes projetos, mas não sabem fazer uma apresentação para os financiadores. O vídeo é uma nova linguagem que tem que estar presente”, finaliza Marins.

Americanas.com

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