Petrobras e cultura: desenvolvimento do turismo e a economia criativa

Investimentos em cultura vão se tornar cada vez mais relevantes numa economia voltada para a sustentabilidade. É muito bom quando se vê que a maior empresa brasileira, a Petrobras, dá mostras de compreender essa realidade. Mesmo com um balanço desfavorável no segundo trimestre, na opinião dos investidores em ações, a empresa manteve a parceria iniciada em 2003 com o Ministério da Cultura (Minc).
 
A edição 2012 do programa Petrobras Cultural está recebendo inscrições de projetos em 11 áreas culturais, com verbas previstas de R$ 67 milhões. É um valor significativo, tendo em vista a média de R$ 39 milhões nas oito edições anteriores. Em comparação com 2010, a verba disponível na edição atual mais que dobrou.
 
A Petrobras é a empresa que mais se aproxima do Minc no apoio a museus, exposições, filmes, peças de teatros, festivais culturais, companhias de dança e grupos musicais, entre outros. É compreensível que seus gastos para incentivar a cultura sejam bem inferiores ao que vai investir nas áreas de prospecção e refino de petróleo e no incentivo à formação de uma rede de fornecedores nacionais.
 
O importante é que a Petrobras invista também recursos próprios, sem querer reembolsar no futuro 100% do que aplicou, mediante abatimentos proporcionados pelas leis de incentivo fiscal à cultura. Essa seria uma atitude pouco generosa da estatal. Na verdade, alguns estudos mostram que a parcela de recursos próprios investidos pelos empresários em ações culturais vem caindo na mesma proporção em que cresce a parcela referente à renúncia fiscal.
 
Muitos empresários brasileiros não compreenderam que investimentos em cultura geram empregos e desenvolvem o turismo e a economia criativa de um país. É verdade também que a cultura – a música e a dança, por exemplo – pode ajudar a reduzir alguns problemas sociais. Mas não se defende aqui uma visão utilitária da cultura, a qual levaria uma empresa a financiar apenas o que circula mais, somente o que atrai multidões.
 
Não deve ser desse modo, pois, mais que ao comércio, a cultura serve para desestabilizar visões de mundo e compreender a força crítica das formas estéticas, conforme o filósofo Vladimir Safatle. Ou, segundo Leonardo Boff, para favorecer o cultivo das dimensões tipicamente humanas, como a coesão social, a arte, a religião, a criatividade e as ciências. O resultado da ação cultural condiz mais com a lógica da natureza do que a obsessão pelo lucro.

Fonte: http://www.hojeemdia.com.br/noticias/petrobras-e-cultura-desenvolvimento-do-turismo-e-a-economia-criativa-1.25088

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