Ideias são negócios... O difícil é vender


Pernambuco se destaca como um polo de arte, cultura e empreendedorismo. Mas nem tudo é festa


As ideias são a principal matéria-prima de uma das atividades que mais crescem no Brasil e no mundo: a economia criativa. Em Pernambuco, não é diferente. Dos atores do Boi D’Loucos, grupo de teatro popular de Beberibe, aos realizadores de filmes, todos estão produzindo mais e aumentando o seu faturamento e, no futuro, terão que enfrentar novos desafios, como fazer o biscoito fino que eles produzem chegar a uma maior quantidadede pessoas.
Os editais que fomentam a produção cultural resultaram num aumento dos recursos para cultura. Para dar do quanto isso movimenta, o sistema de incentivo à cultura do governo do Estado (Funcultura) bancou R$4 milhões em 108 projetos em 2006. Anunciado na segunda quinzena de outubro, o último edital disponibilizou R$ 22 milhões em 274 projetos, correspondendo aos anos de 2010 e 2011. A maioria dos  projetos contemplados será executada em um ano. Para o audiovisual, foi aprovado um edital do Funcultura de R$11,5 milhões em 2012. Já em 2006, não houve lançamento do edital do audiovisual, mas no ano anterior esse mecanismo destinou R$ 4 milhões à produção de filmes.
Um dos setores que mais foi impactado pelo aumento dos recursos foi o audiovisual. “Aumentou a demanda. Começamos a ter uma produção em escala”, disse o sócio da REC Produtores, Ofir Figueiredo. A empresa tem quatro longas concluídos e passa por um momento que nunca ocorreu nos seus 14 anos de existência.Simultaneamente, está envolvida com a realização de três longas,  além das três produções em fase embrionária, indo da pesquisa ao desenvolvimento do roteiro.

INFOGRÁFICO

Economia Criativa - Um setor em expansão
Além de mais recursos disponíveis, o avanço da digitalização contribuiu para a atual boa fase do cinema pernambucano, que conseguiu se inserir na seleção oficial de alguns dos festivais mais
reconhecidos do mundo, como Cannes, Veneza, Locarno (na Suíça), Berlim, entre outros.  No entanto, os filmes que fazem sucesso nos festivais passam pouco tempo nos cinemas  do Recife.
A dificuldade de comercialização e distribuição são os entraves em pelo menos três cadeias produtivas da economia criativa: o audiovisual, a música e as editoras. “A gente tem o principal, o conteúdo. Não estamos sabendo vender para embalar. A música local que circula pelo Brasil e o mundo não toca na cidade e é desconhecida pelo grande público”, lamentou  o produtor cultural Paulo André Pires, responsável por um dos eventos de música mais consolidados do Estado, o Abril Pro Rock. Ele acompanhou bandas pernambucanas em turnê por 25 países. “Falta difusão. Isso faz a iniciativa privada não se interessar em patrocinar os grupos”, concluiu.
O leque de economia criativa é muito amplo, incluindo 32 setores que estão em estágios diferentes. Os principais desafios são a falta de visibilidade, a regulação (até hoje os empreendedores criativos só têm uma redução do Imposto Sobre Serviços na cidade do Recife), o financiamento da produção, infraestrutura – incluindo uma melhor banda larga – e laboratórios de edição e gravação, além da formação de Recursos Humanos, segundo o consultor de TI e estratégias, Claudio Marinho. Abaixo ele fala da importância de estrtuturar melhor a economia criativa.



Como falou Cladio Marinho, qualificação pode fazer toda a diferença. Sem acesso aos editais que financiam a cultura, os integrantes do grupo de teatro popular Boi D’Loucos, de Beberibe,  também sente que a cultura e economia criativa passam por um boom. Esse foi o ano em que eles mais trabalharam, embora o grupo exista desde 2005, quando tinha uma receita anual de cerca de R$ 10 mil. No ano passado, a receita do grupo ficou em cerca de R$ 30 mil. O que fez a diferença foi uma capacitação que os seus integrantes fizeram numa iniciativa do Instituto Walmart e Sebrae. “A gente percebeu que a cultura pode ter produto para vender”, comentou um dos integrantes do grupo, Carlos Amorim.
Abaixo, o pessoal do Boi D’ Loucos mostra um pouco da sua rotina e também fala que a economia criativa e cultura são transversais e “cabem em muitos lugares”:

ESTADO E PORTO DIGITAL VÃO IMPLANTAR POLOS DE ECONOMIA CRIATIVA
Da capacitação a uma infraestrutura melhor e com equipamentos de ponta, o Estado e o Porto Digital estão desenvolvendo iniciativas para dar um empurrãozinho aos produtores da economia criativa. Até 2014, o Estado vai instalar 6 polos de apoio à esses setores em sete cidades. Olinda e Recife farão parte de um polo único.
O Porto Digital está investindo R$ 12 milhões numa estrutura de apoio às cadeias da economia criativa que estão mais interligadas com o mundo digital, como design, multimídia, cine-vídeo-animação, música, games e fotografia. “A TI vem se tornando uma commoditty. Escrever as linhas de código (o serviço feito por um software) pode ser realizado em qualquer lugar do mundo. O que faz a diferença em TI é o que ela viabiliza”, afirmou o diretor de inovação do Porto Digital, Guilherme Calheiros, apostando que essa integração pode agregar muito a ambos os lados.


TÍTULO LEI ROUANET LIBERA 70% DOS RECURSOS PARA RJ E SP

Um dos principais instrumentos de incentivo à cultura no Brasil, a Lei Rouanet concentra 70% das liberações dos seus recursos em dois Estados: São Paulo e Rio de Janeiro, que abocanharam, respectivamente, 43,6% e 26,4%. Os produtores de Minas Gerais captaram 9,3%. Isso significa que quase 80% de tudo que foi empregado por esse incentivo fiscal ficou, no ano passado, numa única Região, a Sudeste. “É difícil fazer captação pela Lei Rouanet, principalmente em setores que têm pouca visibilidade, como o teatro e a literatura”, desabafou a produtora de teatro Paula de Renor. Os produtores pernambucanos só conseguiram captar 1,7% de todos os recursos da Lei Rouanet no ano passado, o que correspondeu a R$ 22 milhões. “Grande parte desses recursos ficaram em festas, como o Carnaval e São João”, comentou Paula. Também se beneficiaram da LeiRouanet filmes pernambucanos.
Administrada pelo Ministério da Cultura (Minc), a Rouanet aprova uma captação que deve ser feita pelo produtor cultural com empresas dispostas a patrocinarem projetos, em troca de renúncia do Imposto de Renda a pagar. Geralmente, o valor aprovado é maior do que o captado. Por exemplo, o governo federal aprovou projetos no valor de R$ 5,4 bilhões em 2011. No entanto, todos os projetos captaram R$ 1,3 bilhão. Para este ano, a expectativa é que a captação chegue a R$ 1,6 bilhão.
Também difícil de captar são os recursos do Sistema de Incentivo à Cultura (SIC) do Recife, baseados na renúncia do Imposto sobre Serviço (ISS). No ano passado, o SIC do Recife aprovou R$ 2 milhões, mas os produtores captaram R$ 1,4 milhão. “O sistema tem atravessadores que estão mais perto das empresas e captam mais do que o permitido por lei”, criticou Paula de Renor. A assessoria de imprensa da Secretaria de Cultura do município se limitou a informar que produtor, elaborador e captador de recursos devem receber até 10% do valor total do projeto aprovado, como é fixado em lei. “Nunca consegui captar todo o valor aprovado no SIC municipal. O ideal seria que esses recursos fossem usados num fundo e que os projetos fossem escolhidos numa seleção pública”, disse Paula. Mesmo com as críticas, os valores do SIC municipal vêm crescendo. Em 2007, os produtores captaram R$ 995 mil.

Fonte: http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/economia/nacional/noticia/2012/10/28/ideias-sao-negocios-o-dificil-e-vender-61709.php

Americanas.com

Postagens mais visitadas deste blog

@Binoculocultura

@Binoculocultura
Notícias para seus projetos!

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *