Assembleia e governo do estado lançam Dia do Barroco Mineiro



Publicação: 29/11/2012 04:02 Atualização: 29/11/2012 07:30

O lançamento do Dia do Barroco Mineiro, que aconteceu ontem na Assembleia Legislativa de Minas (ALMG), marcou o início de uma série de atividades que serão realizadas em parceria com o governo do estado para divulgar e valorizar o patrimônio cultural de Minas. Entre as ações que visam atrair turistas durante a Copa’ 2014, está a criação de um guia cultural do barroco. Um termo de cooperação para o planejamento desse roteiro e das atividades de celebração do bicentenário de morte de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho – no mesmo ano do Mundial de Futebol –, foi assinado pelo presidente da ALMG, deputado Dinis Pinheiro (PSDB), a secretária de Estado de Cultura, Eliane Parreiras, e o secretário de Estado de Turismo, Agostinho Patrus Filho.

As duas pastas vão participar da elaboração das atividades de comemoração do Dia do Barroco Mineiro, em 18 de novembro, instituído pela Lei 20.470, sancionada segunda-feira pelo governador em exercício Alberto Pinto Coelho (PP) e publicada no Diário Oficial de Minas Gerais anteontem. Originada de projeto de lei de autoria de Dinis Pinheiro, a lei declara 2014 como o Ano do Bicentenário de Aleijadinho, um dos maiores representantes do período.

“É a riqueza de Minas. Que isso possa realmente representar um marco divisor e que toda a sociedade mineira possa se debruçar sobre esse grande patrimônio de Minas e do Brasil, simbolizado pela grande figura de Aleijadinho”, ressaltou Pinheiro. Ele defende a popularização da arte barroca para que seja “semeada por todo canto da sociedade”. Dinis ressaltou: “É algo que a gente tem que celebrar permanentemente”.

Para Eliane Parreiras, a criação da data vai impulsionar ações de preservação. Ela ressaltou que três etapas serão desenvolvidas até 2014: a comemoração da data, do bicentenário e a criação do roteiro turístico. No Dia do Barroco Mineiro serão realizadas palestras, debates, oficinas e seminários. Será criada uma comissão de trabalho para planejar o bicentenário de morte do artista e um mapeamento detalhado do patrimônio cultural do estado que vai gerar o roteiro. “Esse mapeamento não será concentrado só na produção relacionada à arquitetura, pintura e escultura, mas também à música e à literatura”, explicou. A secretária informou que não foi definido orçamento para as atividades, mas lembrou que o estado lançou, no ano passado, o programa Minas Patrimônio Vivo, com orçamento de R$ 30 milhões “que contempla toda a cadeia produtiva do patrimônio cultural”, desde a restauração até a segurança.

Atração Agostinho Patrus Filho citou estudos da Secretaria de estado Turismo que mostram que a cultura atraiu 40% das pessoas que visitaram Minas no último ano. Ele afirmou que a pasta fará um levantamento da infraestrutura turística e levará qualificação profissional aos municípios incluídos no roteiro.

Durante a cerimônia, a ALMG homenageou o poeta e pesquisador do barroco Affonso Ávila, falecido em setembro, um dos criadores do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) e da Fundação de Arte de Ouro Preto (Faop).

Palavra de especialista
Cristina Ávila - istoriadora
Mudança e eixo
A criação do Dia do Barroco mineiro muda toda uma perspectiva de valorização não só da arte barroca como também da trajetória cultural de Minas, que foi geratriz da economia com o ouro. Até hoje nós somos um estado minerador. É importante também para a formação de novos pesquisadores. Com a morte das gerações mais velhas e com a mudança de foco acadêmico, porque há os modismos acadêmicos, a arte contemporânea ficou muito mais visada até internacionalmente, por causa das bienais e das grandes exposições de arte contemporânea. Como o barroco não trazia um retorno imediato pela Lei de Incentivo à Cultura, foi ficando esquecido.

Saiba mais
Arte Barroca
Segundo alguns autores, a palavra “barroco” deriva de verruca, do latim, que significa elevação de terreno em superfície lisa. Toda pedra preciosa que não tinha forma arredondada era chamada de barrueca.Por extensão, toda e qualquer coisa que tinha forma bizarra, que fugia do normal, era chamada de baroque. O poeta italiano Giosuè Carducci foi quem, em 1860, adjetivou o estilo da época dos Seiscentos, referindo-se às manifestações artísticas ocorridas a partir do ano de 1600, como sendo barroco. Então, apesar de não ter características unânimes em todas as obras, o barroco passou a ser a denominação dos artistas e escritores da referida época. O Barroco, ou Seiscentismo, teve início em Portugal com a unificação da Península Ibérica, fato que acarretou ao período intensa influência espanhola e também faz surgir outra denominação para o período: Escola Espanhola. No Brasil, o Barroco teve início em 1601, com a publicação do poema épico Prosopopeia, de Bento Teixeira, o qual introduz em definitivo o modelo da poesia camoniana na literatura brasileira. O contexto assimétrico e rebuscado é reflexo do conflito do homem entre as coisas terrenas e as coisas celestiais, o homem e Deus, pecado e o perdão.

ESTADO DE MINAS

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