Concurso Belo Horizonte retorna à cena cultural


Na manhã desta sexta-feira, dia 14, o prefeito Márcio Lacerda lança oficialmente a nova edição do Concurso Nacional de Literatura Cidade de Belo Horizonte. Aberta para convidados, a solenidade está programada para ter início às 9h, no Museu Abílio Barreto, dentro das comemorações dos 115 anos de BH.

Criado em 1947 para comemorar o cinquentenário da capital mineira, o mais antigo concurso literário do país – que revelou, entre outros, o talento de Autran Dourado – volta com premiações de R$ 50 mil para as categorias de dramaturgia, poesia, contos e romance, totalizando R$ 200 mil.

O relançamento ocorre em resposta à luta dos escritores capitaneados pelo Coletivo 21. Em julho de 2011, o grupo encaminhou à Fundação Municipal de Cultura (FMC) uma carta aberta solicitando a realização dos concursos municipais, inclusive o Prêmio João-de-Barro de literatura infantojuvenil. Nenhum dos dois fora realizado em 2010 e nenhuma notícia havia sido publicada sobre as edições de 2011.

Procurada pelo jornal O Tempo, a então presidenta da FMC, Thaís Pimentel, comunicou a decisão de acabar com o primeiro concurso e só realizar o segundo, mesmo assim privilegiando o projeto gráfico e não propriamente o texto literário. A notícia divulgada depois da mobilização do Coletivo 21 teria sido tomada mediante pareceres de uma consultoria de “notório saber”, que considerou superada a fórmula dos concursos.

Incentivo ao fazer literário

A alegação de Thaís era descabida, já que outras prefeituras, governos estaduais, universidades, editoras, academias de letras e empresas privadas têm nos concursos uma das poucas maneiras de incentivar o fazer literário. O próprio secretário municipal de Cultura de Porto Alegre, Sérgius Gonzaga, que integrou a tal consultoria ao lado do professor e editor da UFMG Wander Mello Miranda e do escritor Humberto Werneck, acabava de instituir um novo concurso em sua cidade. A polêmica ganhou os meios de comunicação e, segundo a assessoria de Márcio Lacerda, somente assim ele tomou conhecimento do problema.

Seja lá como for, o fato é que o prefeito determinou à presidenta da FMC que revertesse a equivocada decisão em atendimento aos escritores. Num encontro com representantes da sociedade civil, ela e sua equipe ofereceram R$ 30 mil para a volta do Concurso Nacional de Literatura Cidade de Belo Horizonte, prometendo rever também o regulamento do João-de-Barro.

Na reunião, o teatrólogo Pedro Paulo Cava se apresentou como representante do executivo municipal e disse que aquele valor estava bem abaixo do que a PBH podia oferecer. Dali ele se dirigiu ao gabinete do secretário municipal de Comunicação, Régis Souto, acompanhado por mim e pelo conselheiro municipal de Cultura eleito pelos escritores, Aníbal Macedo. Fomos taxativos na conversa com o secretário, que prometeu encaminhar as reivindicações e sugestões ao prefeito. No dia seguinte, a imprensa anunciava a volta do concurso a partir de 2013.

Vale lembrar que foi a terceira vez que os escritores protestaram contra a tentativa de se acabar com os prêmios literários da PBH. Participei, com vários companheiros, da luta para reverter decisões idênticas em duas outras administrações municipais. A FMC ficou de rever o regulamento do João-de-Barro em 2013, já que não dava tempo para este ano. Espera-se agora que os concursos possam ser tombados como patrimônio imaterial do município, ficando livres de manobras políticas e da má vontade dos burocratas de plantão.

Jorge Fernando dos Santos Jornalista, escritor e compositor, tem 40 livros publicados, entre eles as novelas Palmeira Seca, Sumidouro das Almas e 'Primavera dos Mortos', todos pela Atual Editor

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